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Em
pauta
Tatuagens
sem riscos para a Saúde
Ela pode ser considerada um modismo, um ato de rebeldia, ou até mesmo uma
expressão de jovialidade ou de personalidade. Mas o fato é que a tatuagem
vem conquistando cada vez mais a simpatia não só de jovens, mas de pessoas
das mais diversas idades. Seja feita num estúdio de tatuador ou numa clínica
de estética, a "tatu", como é vulgarmente chamada, torna-se na maioria das
vezes a marca registrada daquele que o estampa na pele.
Moda ou não, fazer uma tatuagem tem seu preço. A pessoa se expõe a riscos de
contaminação por bactérias que causam infecções ou por vírus que acarretam
em doenças como hepatite, Aids, sífilis e muitas outras. Os problemas
acontecem porque os procedimentos nem sempre são realizados em boas
condições de higiene. Em alguns casos, agulhas são reutilizadas e, como há
sangramento da região a ser trabalhada, até o dedo ou algodão utilizado para
estancar o sangue podem transmitir doenças por não respeitar a limpeza
necessária.
Também podem surgir reações alérgicas e cicatrizes indesejáveis e, se a
pessoa tem algum tipo de doença dermatológica (como vitiligo e verrugas),
estas podem aparecer nos locais do trauma, explica o médico estético Renato
Rössler. Segundo ele, a tatuagem também pode provocar um tipo de reação
inflamatória ocasionada pela presença de corpos estranhos que penetram na
pele durante o ato de tatuar ou pelo próprio pigmento introduzido.
A enfermeira e especialista em micropigmentação Marina Rössler, da clínica
de Medicina Estética Renato Rössler, de Porto Alegre, ressalta que, embora
seja tradicionalmente relacionada ao meio underground, hoje já é possível
fazer uma tatuagem em clínicas de estética capacitadas para realizar este
procedimento.
COMO ESCOLHER O LOCAL CERTO
PARA SE TATUAR?
O fato de normalmente ser feita por jovens e estar ligado ao mundo
alternativo fazem com que o ato de tatuar dificilmente seja visto como um
procedimento estético que pede não só uma higiene básica mas também cuidados
clínicos. Agulhas e peças esterilizadas e descartáveis, luvas de látex,
materiais com a devida assepsia e o equipamento próprio para a realização do
procedimento (o aparelho micropigmentador) são essenciais neste processo. No
entanto, mais do que tudo, a escolha do profissional ou da clínica precisa
ser consciente, devendo ser evitados locais que não tenham o selo de
qualidade da Secretaria de Saúde - documento que garante que o
estabelecimento segue as condutas mínimas recomendadas.
Tatuador há 15 anos, Leandro Fleck é referência em Porto Alegre quando o
assunto é segurança ao se fazer tatuagem. Fleck mantém há oito anos seu
estúdio de tatuagem com todos os quesitos necessários para a boa realização
desta técnica. O recolhimento constante de lixo hospitalar e um convênio com
um laboratório, que faz periodicamente testes em todos os equipamentos, são
algumas dos cuidados tomados. "Agulhas, luvas, recipientes de tintas etc.
devem ser descartados logo após o término da tatuagem, e em hipótese alguma
deverão ser reutilizados, mesmo que seja no mesmo cliente", é o que diz
Eduardo, outra referência em estúdio de tatuagem de Porto Alegre. "As
agulhas, durante uma tatuagem podem sofrer danos, causando problemas na
pele, sem falar em matéria orgânica (sangue) que ficará depositada entre as
agulhas, que entrará em decomposição, podendo infectar", salienta Eduardo.
Embora o ambiente seja totalmente outro, o mesmo aval pode ser dado em se
tratando da clínica Renato Rössler. Pelo fato de ser voltada à área médica,
o local foge totalmente do clima underground do Bola Tattoo. Porém, o zelo
com quem está fazendo a tatuagem é praticamente igual. Marina Rössler coloca
que um dos cuidados sempre mantidos na clínica é o de analisar o caso de
cada pessoa que os procura com esta intenção. Inclusive, a idéia de fazer
uma tatuagem pode vir a ser rejeitada se esta pessoa tiver alguma doença
dermatológica, como psoríase e verrugas viróticas, ou doenças sistêmicas,
como diabetes.
Os cuidados devem ser mantidos também quando se trata das chamadas
"maquiagens permanentes" ou dermografismo. Conforme Marina, as maquiagens
feitas especialmente nos olhos ou nos lábios carecem de maior cuidado porque
as chances de reversão são menores do que em outros tipos de tatuagens, além
do fato de que o risco de doenças ser maior devido à sensibilidade destas
regiões do rosto.
ARREPENDEU-SE DA TATUAGEM: COMO REMOVÊ-LA?
Não existe tratamento totalmente eficaz para a remoção de tatuagens quando
se deseja ou necessita retirá-las. Segundo o médico estético Carlos Eduardo
Garcez, presidente da Sociedade Brasileira de Estética Médica (Sobem) e da
Associação Internacional de Medicina Estética (Asime), cerca de 70% dos
casos são possíveis de ser revertidos aplicando-se métodos de medicina
estética, ou seja, sem a necessidade de um processo cirúrgico (com cortes,
anestesia, etc).
Os métodos para retirar as tatuagens mais comuns em medicina estética,
conforme Renato Rössler, são os de abrasão (pequenas cirurgias) ou laser.
Entretanto, a resposta depende da cor dos pigmentos da tatuagem e do
processo utilizado para fazê-la. Nos casos em que, depois do procedimento,
permaneça alguma seqüela, como cicatriz ou mancha, o trabalho de
dermopigmentação realizado pela dermatologista e técnica em Enfermagem
Marina Rössler é bastante indicado, pois funciona como restaurador da cor
original da pele.
HISTÓRIA DA TATUAGEM
Existem provas arqueológicas que afirmam que tatuagens foram feitas no Egito
entre 4000 e 2000 a.C. Algumas múmias com sinais parecidos com tatuagens
foram encontradas no Vale do Rio Nilo. Segundo alguns especialistas, os
corpos eram de prisioneiros marcados para não fugir. Nativos da Polinésia,
Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia também tatuavam-se em rituais
religiosos.
O pai da palavra "tattoo" foi o capitão James Cook, que escreveu em seu
diário a palavra "tattow", também conhecida como "tatau", que nada mais é do
que o som feito durante a execução da tatuagem, onde se utilizavam ossos
finos como agulhas e uma espécie de martelinho para introduzir a tinta na
pele. No Brasil, a tatuagem elétrica chegou em junho de 1959, através do
dinamarquês Knud, que ficou conhecido pelo nome Lucky Tattoo.
Fontes consultadas:
- Médico estético Renato Rössler:
Diretor científico da Sociedade Brasileira de Estética Médica: 3325-1798;
- Marina Rössler: enfermeira e especislista em micropigmentação pela Escola
Juliana Roig: 3325-1798;
- Médico estético Carlos Eduardo Garcez, presidente da SOBEM - Sociedade
Brasileira de Estética Médica e da ASIME - Associação Internacional de
Medicina Estética: (51) 665-3500;
- Leandro Fleck (Bola Tatoo): (51) 3221-5022;
- Eduardo (Edu Tatoo)
Créditos:
Daniel Rodrigues
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