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“Eu quero humanidade para minha marca”, diz Cris Cirne, da CMM


Uma entrevista com Cris Cirne produtora e fundadora da NovaE e de CMM Interativa, sobre internet, cultura hacker, e-commerce e gentileza.


" Nunca um profissional de design deve querer aparecer mais que o próprio negócio que está atendendo. Isso não é honesto."

Por Manuela Fernandes [Fotos: Marion Rupp]

Ela é minha mãe, antes que me perguntem. A alma da CMM. Foi (e é) uma das responsáveis por projetos que fazem parte da história da Internet, como a revista NovaE e o Beleza Inteligente, além de outros êxitos que já não estão mais no ar. Ela também foi pioneira a utizar a ferramenta blog.

Formada em Mídias Digitais pelas Faculdades Senac de Comunicação e Artes, foi a responsável por mais de 100 projetos de empresas e empreendedores.

Comecei com ela aos 4 anos de idade. “Sentadinha no micro, sem fazer barulho”, ouvindo o “Não conta pro teu pai que você tá navegando”.

De navegação em navegação, aprendi a admirá-la. Sua alma bondosa com todos, tão paciente e tolerante, sempre soube ouvir clientes; amigos e parceiros e oferecer uma palavra encantadora. Nunca a ouvi apontando erros e equívocos de alguém.

Assim que ela é. Profissionalmente e em casa.

Ainda trabalho com ela. Agora aos 20. Esta entrevista foi uma ideia que quis materializar neste 2013. Mostrar o pilar amoroso do nosso grupo.

As perguntas foram respondidas desde setembro, às vezes por escrito, às vezes em conversas gravadas. Nosso objetivo foi compartilhar com amigos e clientes o que pensa alguém responsável pelo nosso funcionamento, como empresa e grupo atuante. Espero que vocês gostem.

Manuela - Onde você acha inspiração para fazer um design?

Cris - Inspirada pela minha paixão. Algo brota naturalmente após a pesquisa e briefing do cliente. Como uma semente, movida por amor à área. Do silêncio da mente surgem formas, cores. O design se forma em minha mente, algo além do desenho, uma arquitetura de informações, um wireframe metafórico como um filme de ficção científica, todas as formas tomando o seu lugar. O engraçado é que isto ocorre pela visão do cliente junto com o meu conhecimento. Procuro incorporar o que o cliente quer com o que é necessário. Um profissional de Internet deve respeitar, dentro de certo limite, os gostos dos clientes, mas nunca impor, porque isto é deselegante e vaidoso. Nunca um profissional de design deve querer aparecer mais que o próprio negócio que está atendendo. Isso não é honesto.

" Hoje você tem movimentos anticonsumo em todos os lugares, e muitas marcas continuam a fazer exatamente as mesmas coisas de 10, 15 anos atrás. "

Manuela- Em um mundo da era digital, você acha ainda importante o design no papel?

Cris - Todas as formas de expressão são importantes. Vivi desde o analógico até o digital; sou um “tiranossauro rex”, no bom sentido (risos). Não escondo minha idade. O papel merece respeito, por toda a sua história de disseminação de conhecimento. Mas venho de uma formação digital. Penso digital. Analiso digital. Penso na arquitetura digitalmente. Eu penso em pixels. Mesmo que me passem algo a partir do papel, a finalização é digital.

O que é necessário, na realidade, é você saber a tonalidade, não cair na armadilha do ego. Em todas as mídias, o que faz o profissional é a humildade ativa, além da arte. Este atributo vibra no digital, nos muros da cidade, na carta, no pano, no couro. O artista que só pensa no seu brilho deve saber que este isolamento é perecível.

O papel merece, sim, respeito; ainda produzo em papel. Ainda o uso nos briefings do meu Risquini, da minha amiga Silvana, do Passos Urbanos.

Manuela - Cada projeto é único, isso nós sabemos. Mas qual a maior dificuldade em achar a identidade de cada um?

Cris - Quando você tem um sentimento de simplicidade, de leveza, você consegue captar a alma do projeto. Ouvi uma entrevista de uma publicitária em que ela dizia que mulher é chorona. Que ela procura ter em sua equipe homens. Grande maioria. Que se o cliente falar mais alto, ou o diretor de arte bater na mesa, se for mulher, já vai para o canto chorar. Você deve superar com perseverança estas situações. Se o cliente não gostou de algo, não deve ser pessoal, mas algo que no momento não agradou. E acredite, isso é normal.

Com o tempo você percebe que todo projeto é um desafio. Primeiro porque você não é a dona da verdade. É apenas uma individualidade que se somará à parte daquele projeto, junto a um coletivo de outras verdades.

Na época de faculdade conheci um profissional de design, um cara muito talentoso, o Tom B. Fiz uma entrevista com ele para a NovaE, e lembro que ele me respondeu o seguinte, mais ou menos assim: “Você sabe que o cliente não vai ceder. Você não quer aquela cor roxa no projeto. Ele aprovou tudo o que você fez. Mas ele quer o roxo, sonha com o roxo, sangra pelo roxo. Desenhe o roxo pro cara!, pois é o detalhe que vai faltar para o projeto dele fazer sucesso”. Claro, uma metáfora. Mas nunca esqueci o que ele tentou passar. Na maioria das vezes o “roxo” colocado por você pode ficar excelente.

No fundo, o que ele quis dizer é que um cliente triste com a finalização de um projeto é a pior coisa para um profissional de design.

Manuela - E por que design digital?

Porque em 1999 eu me apaixonei pela cibercultura. A ética hacker. Eu quis participar desta Era. Postar em blogs que eram vistos na época como ‘piratas do mal’, criticados pela mídia de massa.

" Sou sim digital, mas me considero muito mais uma hacker que assume a gentileza como símbolo da elegância."

Queria escrever em HTML, “puro com gelo”, dizíamos. Este ser digital que me considero, foi sendo gerado. Mas nunca me esqueci das raízes. Um ser digital dança na chuva, cozinha, dá risada com o maridão tomando cerveja, ajuda no trabalho escolar das filhas. Lembro-me de uma época, Hernani Dimantas chegava em casa, um pequeno sobrado na periferia de São Paulo, fazíamos um salmão com molho de mostarda e maracujá, bebíamos em grupo, sabíamos que esta ética hacker não poderia ser transformada em algo descartável como vemos hoje em alguns grupos de jovens, não-informados, sem causa, com a única e descartável meta de alcançar poder e dinheiro com Internet. Não esqueço também de uma visita de surpresa, em Blumenau, 2003, de outro grande amigo hacker, Paulo Bicarato, em um momento de grandes desafios pessoais. Cultura hacker é isto, humanismo.

Sou sim digital, mas me considero muito mais uma hacker que assume a gentileza como símbolo da elegância.

Manuela - quais são as armadilhas das redes sociais para empresas?

Cris - Nossa! Muitas armadilhas. Principalmente se não segue o real mundo, mas o seu próprio mundo, aquele que acontece no próprio umbigo. Todas as marcas desejam o mesmo resultado: Vender. Vender muito. Esquecem que as marcas estão neste século além do ‘vender’.

Vender é uma consequência de uma série de atitudes em rede. O que realmente dá resultado é o conteúdo. Leiam Manifesto Cluetrain. Poucos leem e continuam cometendo o mesmo erro nas redes, só falando de produtos, de promoções, de “barbadas”; blá, blá, blá;  ora, ninguém quer só produto! Não quero estar cercado por admiradores da minha marca que só querem comprar, principalmente quando não faço produção em massa.

Eu quero humanidade para minha marca. Quero falar de outras coisas. Você reforma aquela roupa antiga, customiza aquela camiseta que não usa mais, reaproveita suas coisas, vai em um brechó, isto é contemporâneo.

Hoje você tem movimentos anticonsumo em todos os lugares, e muitas marcas continuam a fazer exatamente as mesmas coisas de 10, 15 anos atrás. Vendem, sim, de alguma forma, sempre vai ter quem compre. Converso sempre com minha amiga Rosa Alegria sobre isto. Valorizam a marca, até um limite, porque este campo é traiçoeiro para quem não entende os mercados.  

Manuela - O que nunca se deve fazer em e-commerce?

Cris - Seja qual for o produto, ele tem que ter três coisas importantes: Identidade, Informação e Verdade.

Uma vez comprei um produto para minha filha de uma loja virtual do Rio de Janeiro que uma cliente admirava muito, e quando a encomenda chegou foi uma grande decepção para mim. O produto, muito diferente do que estava no site. Ele era muito menor do que estava na página do produto. Veio o tecido diferente, e não havia nenhum aviso. Enfim. Acontece uma vez a pessoa não compra mais.

" Nós da CMM mantemos isto, falamos para o cliente: quer vender? Não pense só nisto."

Sempre faço sugestões para os clientes em trabalharem o sensorial. A loja tem que apresentar o produto como é. Igual, nem mais e nem menos. Por exemplo, você entra no site do Santo Sabão e o produto é exatamente como é apresentado pela Beth Bacchini.

E também o cliente precisa saber que para vender precisa investir em comunicação. Alguns têm produtos maravilhosos, mas não investem em pesquisa de produto, assessoria de marketing, assessoria de comunicação e querem vender em escala. Isso não existe. Eles não vendem e acabam culpando os sistemas. Muitos deles apontam uma marca que investiu 1 milhão de dólares em marketing e dizem “quero assim”. Mandamos o orçamento e a reposta é “vocês estão loucos!”

Enfim, pense no seu no dia a dia. Venda para seus amigos. Faça uma carteira de admiradores com um site bem feito; os resultados vão surgindo, com certeza, principalmente pelo reflexo de sua paixão.

Manuela - Você, que atua há tanto tempo em atendimento, como se relaciona com seus clientes na CMM?

Cris - Meu relacionamento com todos os clientes é humanizado. Não consigo olhar para uma empresa e ver apenas um CNPJ. Atrás do CNPJ existem pessoas, colaboradores, pulmões, ideias, segundos, vidas, dores, conflitos, filhos, pais, um universo cujo resultado é o produto.

Tem uma agência que conheço em São Paulo onde, a cada 59 minutos, todos os funcionários param para 1 minuto de silencio, para meditação. Loucura? Não. Apenas uma nova era em que a humanização finalmente chegou às empresas.

Nós da CMM mantemos isto, falamos para o cliente: quer vender? Não pense só nisto. Seja humano. Mostre-se humano. Isto é ser intelectualmente honesto. É muito mais gratificante e traz resultados.

 

 


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